O segundo filho chegou e foi bem mais complicado do
que eu pensei. Achei que ter um segundo filho seria mais fácil, afinal, sendo
mãe de segunda viagem, ia tirar de letra. Sabe o que dizem, que cada filho é
diferente do outro, que você pode ter 10 filhos que nenhum será igual? Podem
crer, é bem isso. Verdade que algumas neuras ficaram de lado. O que complicou
mesmo foi a logística. O Eduardo já tem 4 anos e já frequenta a escola. O Kauã
nasceu há quatro meses e é bem diferente do irmão: não fica no carrinho por
nada neste mundo, demora uma eternidade em cada peito na hora de mamar, tenho
uma lista de diferenças! Mas vamos levando. O que complicou a minha vida mesmo
foi levar o mais velho pra escola sozinha tendo de levar o irmão mais novo
junto.
No início o pai levava,
estava tudo até bem tranquilo. Mas depois ele não pôde mais e a tarefa ficou
pra mim. Era só sair um pouco mais cedo de casa e tudo iria bem. Só que o
horário não era o problema. O problema era tirar o mais novo do bebê conforto e
ir até a escola atravessando uma avenida muito perigosa segurando um bebê com
um braço e com um menino muito levado na outra mão. Levar o carrinho? Foi o que
tentei, mas a minha preocupação era cuidar do maior, não dava pra guiar o
carrinho com uma mão só, não dava para estacionar perto da entrada da escola,
não dava pra colocar os dois no mesmo carrinho (um dia eu coloquei, foi o dia
em que me desesperei e até voltei pra casa com os dois). Foi a gota d´água. Falei
pro marido que ele que desse um jeito de levar, arranjasse uma van escolar,
alguma solução devia haver. Ele quase urrou com a ideia. Precisando chegar
antes de todos na empresa, abriu mão do automóvel pra que eu pudesse utilizar e
não estava dando certo. Qual a solução? Comprar outro carro? Como assim, se o
nosso nem está pago ainda? Pagar um transporte escolar pra levar a criança a
uma escola que fica praticamente na mesma quadra onde moramos? Cogitei comprar uma espécie
de “coleirinha” pra conseguir levar o mais velho amarrado ao carrinho ou a mim.
Foi o dia em que o Eduardo
completou algumas faltas consecutivas na escola que alguém da direção/coordenação
ligou pra mim para ter notícias e saber os motivos das faltas. Tenho vergonha
de falar, mas foi o que aconteceu: eu desabei a chorar ao telefone. Na outra
semana consegui ir lá e conversar, e tinha uma moça muito tranquila, ouvindo
com atenção toda a minha dificuldade. Alguém citou baby blues, depressão pós
parto, ajuda psicológica, mas talvez fosse um pouco de tudo isso misturado com
um cansaço que só quem tem filho pequeno conhece. No meio da conversa, a moça
calma disse: - Passei pelo que você está passando, anote este telefone, fale
com este pessoal para arranjar um sling para você.
Sling? Eu até havia
visto durante a gravidez, quando ainda conseguia acessar a internet, algumas
fotos lindas de uns bebês quietinhos agarrados na mãe dentro de um pano
apertado. Achei que era uma coisa meio bicho grilo, mas tinham uns bonitos e
até pareciam confortáveis. Enviei uma mensagem para o telefone que me deram, e
a pessoa com quem eu falei me convidou para ir num evento onde estariam expondo
os slings, ensinando a usar, etc. Deixei o Eduardo com o pai num sábado de
manhã e fui com o Kauã pra tirar a limpo essa história, já crente que nunca na
minha vida eu iria dar conta de amarrar tanto pano em mim e depois ainda
colocar uma criança dentro. Mas estava mesmo precisando dar uma voltinha, era
meio longe, mas fui. Chegando lá fiquei observando de longe a Maristela ensinar
uma casal muito jovenzinho a fazer todo o processo. Eles aprenderam, e ficaram
por ali tomando um suco na maior tranquilidade com o bebê quase dormindo no
sling enquanto ela me chamou e me perguntou qual era a minha expectativa. A
minha expectativa era ter dois filhos e dois braços, nada mais. O casal do suco
voltou, o rapaz se ofereceu pra segurar o Kauã enquanto eu aprendia a amarrar
e, para minha surpresa, não foi tão difícil quanto pensei. Apenas “assustador”,
como disse a Maristela. Mas enfim, criei coragem e coloquei o bebê no sling; ela
me falou sobre o posicionamento correto, sobre observar as reações do bebê, e
eu acabei me emocionando tanto que ela teve de repetir tudo novamente , por
que, na verdade, não sei o que deu em mim. Ter o Kauã ali pertinho de mim, tão
seguro, tão acolhido, foi uma coisa tão boba mas ao mesmo tempo tão singela que
eu me emocionei e não tive como disfarçar.
No final, a gente não
vai mais de carro pra escola: eu às vezes pego o Kauã dormindo, ponho ele no sling e ele nem acorda
e quando acorda volta a dormir, e a gente vai andando mesmo. Vai um no sling e
o Eduardo vai andando. Quando está chuvoso eu vou de carro e levo o sling já no
corpo, coloco o bebê dentro, tiro o outro da cadeirinha e vamos cada um com uma
sombrinha ou capa de chuva e dá tudo certo. O carro ficou pro marido ir
trabalhar na imensa maioria das vezes. E na volta da escola eu ainda passo na
padaria ou no mercado e trago coisas diferentes pro almoço sempre carregando o
neném. Estou achando que vou arranjar um cachorro pra gente daqui a uns dias.
Esta é a minha história
com o sling. Tenho muita gratidão pela BsB Slings por terem me ajudado, e agora
eu indico pra todo mundo este pano mágico.
Abraços
Ana Paula
Sobradinho- DF
Foto meramente ilustrativa by Parent Faves.com |
Nenhum comentário:
Postar um comentário